Provavelmente, você já se deparou com o termo neuroplasticidade. Essa palavra, relativamente nova no universo da neurociência, trouxe muitos insights acerca da atividade cerebral e da saúde cognitiva.
Há pouco tempo, os especialistas acreditavam que o desenvolvimento do cérebro humano se encerrava ao final da adolescência e que, a partir desse momento, não havia mais possibilidade de mudança e evolução, tudo estaria em declínio. No entanto, graças às pesquisas mais recentes, descobrimos que isso não passa de um equívoco.
Na verdade, nossos cérebros têm a capacidade de se transformar e se desenvolver ao longo da vida adulta. A cada nova informação processada, neurônios são acionados, novas conexões são estabelecidas e o cérebro flexível se modifica em sua forma e estrutura.
Mas afinal, o que é neuroplasticidade? Basicamente, esse conceito se refere à capacidade do cérebro de se reestruturar e se reconectar quando é necessário se adaptar a novas situações. Em outras palavras, nosso cérebro pode continuar a se desenvolver e a mudar ao longo da vida.
Nesse sentido, busca-se atualmente entender quais estímulos podemos oferecer ao cérebro para que ele possa se modificar e se desenvolver de forma positiva, contribuindo para a atividade cerebral.
Neuroplasticidade e Atividade Física
O cérebro humano se adapta às novas demandas, modificando suas propriedades estruturais e funcionais (neuroplasticidade), o que resulta em aquisição de habilidades e aprendizagem. Evidências de estudos com humanos e animais sugerem que a prática de atividade física facilita a neuroplasticidade de certas estruturas cerebrais, resultando em melhora das funções cognitivas.
Pesquisas em animais mostraram que a atividade física aumenta a formação de novos neurônios, sinapses e vasos sanguíneos, além de aumentar a liberação de neurotrofinas (proteínas que ajudam na manutenção e sobrevivência de células neuronais), como mecanismos neurais que medeiam os efeitos cognitivos positivos do exercício.
A atividade física pode desencadear processos facilitadores da neuroplasticidade, o que potencializa a capacidade do indivíduo de se adaptar a novas demandas com mudanças comportamentais. Algumas pesquisas recentes sugerem que a combinação de treinamento físico e cognitivo pode resultar em um aprimoramento mútuo de ambas as intervenções.
Além disso, novas evidências apontam que para manter os benefícios neurocognitivos obtidos pela prática de atividade física, é importante manter o aumento no nível de aptidão cardiovascular.
Efeito do Exercício Aeróbico na Saúde Cerebral
O envelhecimento cerebral é um processo natural que pode levar a mudanças estruturais e funcionais no cérebro, incluindo a deterioração da substância branca, que é composta por fibras nervosas responsáveis pela comunicação entre diferentes áreas cerebrais. A perda de substância branca tem sido associada a prejuízos cognitivos no envelhecimento e na doença de Alzheimer.
Pesquisas recentes buscam entender como é possível mitigar esses declínios relacionados à idade de forma mais ativa, investigando estratégias que podem diminuir as consequências do envelhecimento cerebral. Em 2021, um estudo avaliou a neuroplasticidade da substância branca em adultos através de exames de imagem, e verificou que caminhadas aeróbicas realizadas ao longo de 6 meses tiveram efeitos benéficos nessa região cerebral.
Os resultados sugerem que a substância branca no cérebro adulto, que é vulnerável ao envelhecimento, retém a plasticidade induzida pelo exercício aeróbico em curto prazo. Dessa forma, a prática regular de exercícios aeróbicos pode ser um aliado importante na promoção da saúde cerebral e cognitiva, mesmo em idades mais avançadas.
A influência da alimentação na saúde cognitiva
Os alimentos que você consome têm um impacto significativo na manutenção da saúde do cérebro, melhorando funções mentais específicas, como memória e concentração. Por exemplo:
● Peixes gordurosos: Salmão, truta, atum, arenque e sardinha são excelentes fontes de ácidos graxos ômega-3, importantes para a construção do cérebro. DHA, um tipo de ômega-3, representa 40% dos ácidos graxos poli-insaturados do cérebro. O cérebro usa ômega-3 para criar células cerebrais e nervosas, e essas gorduras são essenciais para o aprendizado e a memória.
● Frutas vermelhas: Mirtilos e outras frutas vermelhas contêm antocianinas, compostos vegetais que têm efeitos anti-inflamatórios e antioxidantes. Os antioxidantes combatem o estresse oxidativo e a inflamação, condições que podem contribuir para o envelhecimento do cérebro e doenças neurodegenerativas.
● Ovos: Os ovos são uma excelente fonte de nutrientes ligados à saúde do cérebro, incluindo vitaminas B6 e B12, folato e colina, um nutriente importante para a formação do neurotransmissor acetilcolina, que ajuda na memória e função mental.
● Chá verde: O chá verde é uma bebida benéfica para o cérebro, já que contém cafeína associada à L-teanina, um aminoácido que pode atravessar a barreira hematoencefálica e aumentar a atividade do neurotransmissor GABA. Além disso, é rico em polifenóis e antioxidantes, os quais podem proteger o cérebro do declínio cognitivo e reduzir o risco de Alzheimer e Parkinson.
O que os estudos dizem?
As evidências apontam que o exercício pode aprimorar a aprendizagem e a memória, e também reduzir a neurodegeneração, incluindo a doença de Alzheimer (DA).
Além de promover melhorias na neuroplasticidade, através da mudança da estrutura e função sináptica em diversas regiões do cérebro, o exercício também modula sistemas como a angiogênese (criação de novos vasos sanguíneos) e a ativação glial (células da glia que ajudam na nutrição e apoio dos neurônios), os quais são reconhecidos por apoiar a neuroplasticidade.
Não há dúvida de que a saúde cerebral pode ser aprimorada por meio de atividades físicas. É fundamental que se busque a orientação adequada de profissionais da área da saúde capacitados para atender às necessidades individuais de cada pessoa.
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