ARTIGO 131 - O poder antidepressivo da dieta cetogênica

A depressão é um dos transtornos mentais mais prevalentes no mundo, afetando mais de 300 milhões de pessoas globalmente.

É caracterizada por humor deprimido persistente, perda de interesse ou prazer, sentimentos de culpa ou baixa autoestima, distúrbios de sono ou apetite, baixa energia e pensamentos recorrentes de morte ou suicídio. Apesar do tratamento com antidepressivos e psicoterapia, cerca de 30% dos pacientes não respondem adequadamente.

Nesse contexto, intervenções dietéticas e nutricionais têm despontado como estratégias adjuvantes promissoras no manejo da depressão. Dentre elas, a dieta cetogênica vem ganhando destaque nos últimos anos por seu potencial efeito antidepressivo.

A dieta cetogênica, rica em gorduras e baixa em carboidratos, foi originalmente desenvolvida para o tratamento da epilepsia, mas estudos recentes sugerem que ela também pode modular vários sistemas-chave envolvidos na fisiopatologia da depressão.

Vamos explorar as evidências atuais sobre os possíveis mecanismos antidepressivos da dieta cetogênica e seu potencial papel como intervenção terapêutica auxiliar no manejo da depressão, especialmente nos casos resistentes ao tratamento usual.

O que é a dieta cetogênica?

A dieta cetogênica é caracterizada por uma proporção muito baixa de carboidratos (geralmente inferior a 50 g/dia), moderada de proteínas e alta de gorduras, tipicamente na proporção de 75-80% de calorias de gorduras, 15-20% de proteínas e 5-10% de carboidratos.

Essa composição faz com que o corpo entre em um estado metabólico chamado cetose, no qual os ácidos graxos são convertidos em corpos cetônicos que se tornam a principal fonte de energia para o cérebro e órgãos vitais, no lugar da glicose.

Os principais corpos cetônicos formados são o β-hidroxibutirato, acetoacetato e acetona. Eles fornecem energia às células de forma independente da insulina e da glicólise. A produção contínua de corpos cetônicos caracteriza o estado de cetose nutricional induzido pela dieta cetogênica.

Essa dieta foi amplamente utilizada no tratamento da epilepsia refratária antes do advento dos medicamentos antiepilépticos modernos. Mais recentemente, sua aplicação terapêutica tem sido estudada em outras condições, incluindo transtornos neuropsiquiátricos como a depressão.

Evidências dos efeitos antidepressivos

Embora os dados sejam ainda preliminares, diversos estudos já apontam para um possível efeito antidepressivo da dieta cetogênica:

● Estudos em animais: ratos e camundongos alimentados com a dieta cetogênica apresentaram menos comportamentos de tipo depressivo em testes como o teste de natação forçada e o teste de suspensão pela cauda quando comparados a animais controle.

● Estudos clínicos: melhoras modestas nos sintomas depressivos foram relatadas em estudos envolvendo pacientes epilépticos e com transtorno bipolar tratados com a dieta cetogênica.

● Efeitos cognitivos: a dieta cetogênica demonstrou melhorar domínios cognitivos frequentemente prejudicados na depressão, como atenção, memória de trabalho e funções executivas, em estudos preliminares.

● Casos clínicos: há relatos de casos de remissão completa dos sintomas depressivos com a adoção da dieta cetogênica em pacientes com depressão refratária ao tratamento medicamentoso tradicional.

Os resultados positivos nesses estudos iniciais impulsionam mais pesquisas sobre os mecanismos pelos quais a dieta cetogênica pode atuar como uma intervenção auxiliar no manejo da depressão, especialmente nos casos resistentes às terapias usuais.

Mecanismos antidepressivos propostos

Diversos mecanismos inter-relacionados têm sido propostos para explicar os efeitos antidepressivos da dieta cetogênica:

Efeitos anti-inflamatórios

➤ Redução de citocinas pró-inflamatórias como IL-6, IL-1β e TNF-α.

➤ Inibição da ativação microglial.

➤ Diminuição da permeabilidade da barreira hematoencefálica.

Neuroproteção e plasticidade neural

➤ Aumento dos fatores neurotróficos BDNF e VEGF.

➤ Estimulação da neurogênese hipocampal.

➤ Fortalecimento da resiliência neuronal ao estresse oxidativo.

Alterações na neurotransmissão

➤ Aumento dos níveis de GABA, um neurotransmissor inibitório.

➤ Redução dos níveis de glutamato, um neurotransmissor excitatório.

➤ Elevação das monoaminas noradrenalina e serotonina.

Efeitos metabólicos e bioenergéticos

➤ Melhora da função mitocondrial e produção de ATP.

➤ Maior eficiência energética neuronal.

➤ Estabilização da sinalização insulínica.

Modulação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal (HPA)

➤ Redução dos níveis basais de cortisol.

➤ Normalização da reatividade ao estresse do eixo HPA.

Alterações na microbiota intestinal

➤ Aumento da diversidade bacteriana.

➤ Redução das bactérias pró-inflamatórias.

➤ Elevação das bactérias produtoras de neurotransmissores.

Efeitos da dieta cetogênica nos sintomas nucleares da depressão

Os diversos mecanismos acionados pela dieta cetogênica convergem para efeitos positivos nos principais domínios da sintomatologia depressiva:

Humor deprimido: Melhora do afeto e redução dos sentimentos de tristeza, desesperança e anedonia característicos do humor deprimido.

Ansiedade: Redução dos níveis de ansiedade e preocupação excessiva frequentemente presentes na depressão.

Fadiga e redução de energia: Aumento moderado nos níveis de energia e redução da fadiga e letargia típicas da depressão.

Alterações cognitivas: Melhora da capacidade cognitiva, concentração, atenção e funções executivas prejudicadas na depressão.

Alterações do sono: Normalização dos padrões de sono, com redução da insônia e melhoria da qualidade do sono.

Alterações de apetite: Normalização do apetite e comportamento alimentar.

Em suma, a dieta cetogênica parece melhorar sintomas-chave nos domínios emocional, físico, cognitivo e comportamental da depressão.

A dieta cetogênica como terapia auxiliar na depressão resistente ao tratamento

Diante do alto percentual de pacientes que não respondem adequadamente às terapias tradicionais para depressão (30-40%), novas estratégias adjuvantes são necessárias.

A dieta cetogênica surgiu nos últimos anos como uma possibilidade promissora nesse contexto, com algumas vantagens potenciais:

Pode ser utilizada em conjunto com antidepressivos e psicoterapia.

Fornece efeitos antidepressivos por mecanismos distintos dos fármacos tradicionais.

Pode potencializar e ampliar a resposta ao tratamento medicamentoso.

É uma intervenção não farmacológica, evitando efeitos colaterais de medicamentos.

Tem baixo custo e fácil acesso comparada a novas terapias experimentais.

Entretanto, alguns pontos devem ser considerados:

Evidências ainda são preliminares e focadas na epilepsia, necessitando mais estudos em depressão especificamente.

Pode apresentar riscos metabólicos e nutricionais que requerem monitoramento.

Exige motivação do paciente e adesão rigorosa.

Efeitos a longo prazo ainda são incertos.

Não deve substituir terapias tradicionais estabelecidas, e sim complementá-las.

Dessa forma, a dieta cetogênica representa uma estratégia dietética promissora a ser melhor investigada como tratamento auxiliar na depressão refratária, mas requerendo cautela e mais pesquisas para determinar seu real potencial antidepressivo.

A dieta cetogênica como terapia auxiliar na depressão resistente ao tratamento

Diante do alto percentual de pacientes que não respondem adequadamente às terapias tradicionais para depressão (30-40%), novas estratégias adjuvantes são necessárias.

A dieta cetogênica surgiu nos últimos anos como uma possibilidade promissora nesse contexto, com algumas vantagens potenciais:

Pode ser utilizada em conjunto com antidepressivos e psicoterapia.

Fornece efeitos antidepressivos por mecanismos distintos dos fármacos tradicionais.

Pode potencializar e ampliar a resposta ao tratamento medicamentoso.

É uma intervenção não farmacológica, evitando efeitos colaterais de medicamentos.

Tem baixo custo e fácil acesso comparada a novas terapias experimentais.

Entretanto, alguns pontos devem ser considerados:

Evidências ainda são preliminares e focadas na epilepsia, necessitando mais estudos em depressão especificamente.

Pode apresentar riscos metabólicos e nutricionais que requerem monitoramento.

Exige motivação do paciente e adesão rigorosa.

Efeitos a longo prazo ainda são incertos.

Não deve substituir terapias tradicionais estabelecidas, e sim complementá-las.

Dessa forma, a dieta cetogênica representa uma estratégia dietética promissora a ser melhor investigada como tratamento auxiliar na depressão refratária, mas requerendo cautela e mais pesquisas para determinar seu real potencial antidepressivo.

Considerações nutricionais e efeitos adversos

A adoção da dieta cetogênica como intervenção terapêutica requer cuidado nutricional para evitar riscos potenciais:

Riscos nutricionais

✦ Deficiências de vitaminas, especialmente tiamina, folato e vitamina D.

✦ Hipoglicemia em diabéticos.

✦ Desidratação e desequilíbrio eletrolítico.

✦ Ganho de peso após interrupção da dieta.

Efeitos gastrintestinais

✦ Constipação ou diarreia.

✦ Desconforto abdominal e náuseas.

✦ Refluxo gastroesofágico.

Efeitos renais

✦ Risco aumentado de nefrolitíase e nefropatia.

✦ Elevação do ácido úrico.

Efeitos hepáticos

✦ Esteatose hepática não-alcoólica.

✦ Elevação das enzimas hepáticas.

Efeitos no metabolismo lipídico

✦ Aumento do colesterol LDL e redução do HDL.

Para minimizar esses riscos, é essencial o acompanhamento médico e de nutricionista durante a dieta, suplementação adequada de vitaminas e minerais, monitoramento dos sinais vitais e exames laboratoriais, além de transição gradual do carboidrato.

Perspectivas futuras

A despeito das evidências promissoras, diversas lacunas de conhecimento ainda precisam ser preenchidas para validar o papel da dieta cetogênica como intervenção dietética na depressão:

● São necessários ensaios clínicos randomizados e controlados investigando especificamente os efeitos da dieta cetogênica na sintomatologia depressiva.

● Os mecanismos antidepressivos precisam ser melhor elucidados em estudos com humanos.

● A duração ideal do tratamento e efeitos a longo prazo devem ser determinados.

● São necessários mais dados sobre a segurança e tolerabilidade em diferentes populações.

● Formas mais práticas e palatáveis da dieta devem ser desenvolvidas para melhorar a adesão.

● O custo-benefício da dieta cetogênica comparado a outros tratamentos adjuvantes precisa ser analisado.

Portanto, apesar das perspectivas promissoras, a dieta cetogênica ainda não pode ser recomendada na prática clínica para o tratamento da depressão fora de estudos experimentais bem controlados.

Com mais pesquisas, ela pode se firmar no futuro como uma estratégia dietética auxiliar de baixo custo no manejo multimodal da depressão resistente ao tratamento usual.

Conclusão

A dieta cetogênica representa uma abordagem nutricional com efeitos multissistêmicos que vêm demonstrando potencial para modular vias-chaves relacionadas à fisiopatologia da depressão.

Dados preliminares apontam para propriedades antidepressivas dessa controvertida dieta, abrindo caminho para uma nova estratégia auxiliar no tratamento da depressão resistente.

No entanto, sua aplicação na prática clínica ainda requer cautela e mais estudos para confirmar sua eficácia e segurança antes de ser validada como tratamento adjuvante na depressão.

Com mais pesquisas, a dieta cetogênica pode se tornar, no futuro, uma opção dietética acessível e de baixo custo para complementar as terapias farmacológicas e psicoterápicas nos casos refratários de depressão.

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