ARTIGO 147 – Manipulações da coluna melhoram o desempenho esportivo?

A terapia manipulativa espinhal, também conhecida como manipulação quiroprática ou osteopática, tem sido amplamente utilizada por atletas e profissionais de saúde do esporte como parte do tratamento e prevenção de lesões, alívio da dor e, potencialmente, para melhorar o desempenho esportivo.

No entanto, os mecanismos pelos quais a manipulação espinhal poderia realmente melhorar medidas objetivas de desempenho permanecem pouco claros, apesar de alguns estudos promissores.

Neste artigo, exploraremos em profundidade a relação entre a terapia manipulativa espinhal e o desempenho esportivo, abordando tópicos como:

✅ A popularidade do uso da terapia manipulativa entre atletas e equipes esportivas

✅ Os mecanismos neurofisiológicos pelos quais se pensa que a manipulação possa afetar o desempenho

✅ Revisão de estudos clínicos existentes sobre manipulação espinhal e testes de desempenho

✅ Análise crítica da qualidade da evidência disponível

✅ Recomendações para futuros estudos e desenhos de pesquisa

✅ Implicações gerais para atletas, treinadores e profissionais considerando a manipulação como ferramenta ergogênica

Os leitores acostumados a literatura sobre manipulação espinhal provavelmente estão cientes dos efeitos neurofisiológicos bem estabelecidos, como mudanças na excitabilidade corticoespinhal, processamento sensorial melhorado e inibição muscular reduzida.

Meu objetivo aqui é conectar esses efeitos conhecidos ao contexto específico do desempenho esportivo e determinar até que ponto as evidências atuais apoiam o uso da manipulação com essa finalidade.

Popularidade da terapia manipulativa no esporte

A terapia manipulativa vertebral, incluindo a manipulação quiropática e osteopática, é amplamente utilizada por atletas em diversas modalidades esportivas.

Questionários e levantamentos revelam altas taxas de utilização entre atletas de elite e profissionais, com os serviços de quiropraxia e osteopatia sendo comumente oferecidos em vestiários e estádios.

Alguns exemplos e estatísticas incluem:

➤ Futebol americano (NFL): 30 das 32 equipes da nfl possuem quiropratas oficiais, com a maioria dos jogadores recebendo manipulação regular.

➤ Corridas de automóvel: equipes importantes como a scuderia ferrari empregam quiropratas para avaliar a coluna vertebral dos pilotos.

➤ Jogos olímpicos: mais de 100 quiropratas foram credenciados para trabalhar na equipe médica nos jogos do rio 2016.

➤ Levantamento de pesos: uma pesquisa com atletas de elite dos eua encontrou que 57% usavam quiropraxia.

➤ Beisebol: em um estudo com jogadores de beisebol profissional, 62% relataram já ter usado a quiropraxia.

Claramente, a terapia manipulativa é vista como uma intervenção valiosa por muitos atletas e equipes. Mas essa popularidade se deve principalmente a benefícios percebidos como prevenção e tratamento de lesões? Ou os praticantes acreditam que também pode melhorar o desempenho esportivo em si?

A manipulação como ferramenta ergogênica: mecanismos plausíveis

Embora os efeitos terapêuticos da manipulação espinhal sejam bem compreendidos, sua capacidade de realmente melhorar o desempenho esportivo é menos clara.

No entanto, vários mecanismos neurofisiológicos foram propostos pelos quais a manipulação poderia agir como uma ferramenta ergogênica.

● Melhor processamento sensorial: A manipulação parece melhorar a precisão do sentido de posição articular e o processamento de informações sensoriais do corpo. Isso poderia levar a melhor controle e coordenação motora.

● Aumento da força muscular: Estudos mostraram aumentos imediatos na força muscular após a manipulação da coluna vertebral, possivelmente por reduzir a inibição no sistema nervoso central.

● Menos fadiga muscular: Foi demonstrado que a manipulação alivia o acúmulo de metabólitos relacionados à fadiga no músculo esquelético. Isso pode permitir esforços físicos mais prolongados.

● Melhor sincronização neuromuscular: A manipulação pode melhorar a sincronização da ativação muscular, potencialmente melhorando a eficiência do movimento.

● Aumento do fluxo sanguíneo: Algumas evidências sugerem que a manipulação pode aumentar o fluxo sanguíneo local para músculos, possivelmente retardando a fadiga.

● Efeito placebo: A interação cuidadosa praticante-paciente da manipulação pode, por si só, criar uma expectativa positiva e um efeito placebo no desempenho.

Embora esses mecanismos sejam teoricamente promissores, é necessária evidência de alta qualidade de estudos clínicos reais para avaliar os efeitos da manipulação em testes ou medidas objetivas de desempenho esportivo.

Revisando as evidências: estudos de manipulação espinhal e desempenho

Vários ensaios clínicos foram conduzidos tentando quantificar os efeitos da manipulação espinhal no desempenho esportivo.

Revisaremos brevemente algumas das principais descobertas e limitações desses estudos.

◉ Mudanças mistas nos testes de desempenho

Vários estudos mostraram melhorias em testes como força de preensão manual, velocidade de chute no futebol e amplitude de swing no golfe após a manipulação.

No entanto, outros estudos não mostraram diferenças significantes em testes como flexibilidade, resistência ciclística ou precisão de arremesso livre após a manipulação.

◉ Manipulação para disfunções vs. Manipulação não terapêutica

Estudos onde a manipulação foi aplicada especificamente para corrigir disfunções biomecânicas detectadas mostraram os maiores benefícios.

Já estudos que aplicaram manipulação em locais pré-determinados não relacionados a avaliações clínicas individuais geralmente não mostraram melhorias.

◉ Falta de medidas de desempenho competitivo

Nenhum estudo avaliou o efeito da manipulação sobre o desempenho esportivo em uma competição real.

Apenas testes substitutos de laboratório ou campo foram utilizados, cuja correlação com o desempenho nos esportes é incerta.

◉ Problemas metodológicos

Muitos estudos apresentaram problemas como tamanho da amostra pequeno, grupos de controle inadequados, ocultação de alocação inadequada e cegamento limitado. Isso limita a capacidade de tirar conclusões definitivas.

De modo geral, embora alguns estudos sejam encorajadores, as evidências são mistas e de qualidade insuficiente para apoiar firmemente o uso da manipulação para melhorar o desempenho esportivo.

Direções futuras: desenho de estudos e pesquisas recomendadas

Para estabelecer os efeitos da manipulação espinhal no desempenho esportivo, pesquisas futuras devem priorizar:

● Medições de desempenho em competição: o "padrão ouro" deve ser o efeito sobre o desempenho esportivo real em jogos ou provas.

● Alocação e cegamento adequados: grupos randomizados e placebos bem projetados limitam vieses.

● Protocolos padronizados: padronização da manipulação, testes e medições utilizados.

● Populações maiores: estudos maiores podem detectar efeitos menores mais definitivamente.

● Análises de mecanismos: medir biomarcadores e parâmetros neurofisiológicos pode elucidar mecanismos.

● Efeito cumulativo: avaliar os efeitos de múltiplas sessões de manipulação ao longo do tempo.

Avanços metodológicos nessas áreas trarão maiores insights sobre a eficácia real da manipulação espinhal como recurso ergogênico no esporte.

Conclusão e implicações práticas

Em conclusão, embora existam fundamentos neurofisiológicos e anedóticos plausíveis para o uso da manipulação espinhal visando melhorar o desempenho esportivo, as evidências de alta qualidade são atualmente limitadas e mistas.

Contudo, alguns estudos são encorajadores e justificam mais pesquisas. Atletas, treinadores e profissionais deveriam ter cautela ao confiar na manipulação como ergogênico, mas pesquisas futuras podem elucidar seus efeitos.

Uma abordagem equilibrada e ética à manipulação no contexto do esporte continua sendo garantida pelas evidências atuais.


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